Pesquisador da UNICAMP da área de robótica visita LiU e estabelece parcerias

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Aldo Diaz, aluno de doutorado pela faculdade de engenharia mecânica da UNICAMP, em seu quarto ano e próximo de defender sua tese veio para Linköping como parte do programa de doutorado sanduíche com bolsa concedida pela CAPES. Inicialmente com a intenção de ficar seis meses na Suécia, Aldo estendeu sua estadia por mais dois meses para aprofundar suas atividades de pesquisa e participar de mais duas matérias relevantes para sua área de atuação.  Nessa entrevista, o peruano que mora há 6 anos no Brasil e pra lá vai voltar em breve, conta um pouco sobre sua experiência dos últimos 8 meses como doutorando no departamento de controle automático da LiU.

1- Sobre o que é a sua pesquisa e o que te trouxe para a LiU?

O meu foco de pesquisa é na área de robótica, eu trabalho com processamento de imagens e algoritmos para a navegação de robôs, basicamente. Assim, entrei em contato com a universidade por recomendação do meu orientador no Brasil sobre um programa no qual tinha uma oportunidade para bolsas na Suécia. Sabendo disso, comecei a procurar e encontrei em Linköping muitos bons pesquisadores da minha área, entre eles o professor Frederick Gustafsson, que hoje é meu orientador aqui. Entrei em contato com ele através de e-mail propondo fazer um intercâmbio e ver um tema à fim para poder trabalhar durante esse período. Vendo o site e os trabalhos publicados pelos pesquisadores da LiU, muitos dor projetos por eles desenvolvidos se relacionavam com àqueles que estávamos realizando no Brasil. Assim pudemos estabelecer essa parceria.

2- O que você acha que faz um doutorado na universidade de Linköping ser diferente? O que você encontrou aqui que faltava no Brasil?

Linköping oferece muitas facilidades e uma experiência muito rica por conta da relação de colaboração e proximidade que eles têm com indústrias, tanto científica como tecnológica, e que se refletem nos trabalhos dos alunos de doutorado. Isso se dá graças também a grande presença dessas indústrias nos arredores da universidade, que contribuem para o desenvolvimento das pesquisas. Na minha área, e na engenharia em geral, essa colaboração é muito importante e possibilita a troca de informações, além de fornecerem equipamentos avançados de laboratório. Basicamente, eles têm aqui um laboratório muito bom de aquisição de dados que chama “motion capture”, que é bem sofisticado e caro de implementar, o que é um grande benefício. Tenho trabalhado com esse tipo de instrumentação na minha pesquisa aqui, podendo assim utilizar instrumentos que nós não temos no Brasil.

Aldo em sua sala com o livro de autoria de seu orientador que ganhou de presente.

3- A dinâmica de trabalho é diferente na Suécia em comparação com o Brasil?

A dinâmica é basicamente bastante similar, de forma que os alunos de doutorado são pesquisadores independentes. Mas o que eu posso acrescentar que é diferente na Suécia, é a facilidade de ter todos os professores e alunos do departamento em um mesmo corredor, o que ajuda muito o contato e conversas. Além disso, a cultura sueca de FIka (que é uma pausa para um café, um bolo e uma conversa), também cria um momento bom para aproveitar e tirar dúvidas talvez em um ambiente mais descontraído do que aquele do trabalho. Também, o tratamento com os professores é mais plano, o que pode ser um benefício.

4- Como você acha que essa experiência vai influenciar sua carreira?

Acredito que eu aprendi muito aqui, pelo trabalho de pesquisa e também com a colaboração com o departamento, estabelecendo assim parcerias e contatos. No intercâmbio, estou tendo a oportunidade de trabalhar, por exemplo, ao lado da indústria, que é experiência muito ricas em conjunto com a parte acadêmica. Além disso, pude trabalhar com o professor Frederick Gustafsson, que é uma referência na área de pesquisa em “sensor fusion”, com um livro publicado na temática e muito reconhecido enquanto profissional. Esses contatos são muito benéficos para nós pesquisadores no Brasil, que podemos esse tipo de alcance e relacionamentos, tanto na pesquisa quanto na indústria, sobretudo em temas de cooperação.

5- O que você diria para estudantes e pesquisadores pensando em fazer um intercâmbio acadêmico?

Digo que olhem as oportunidades e que mandem bala. A verdade é que há muitas oportunidades e formas de estabelecer vínculos através das bolsas disponíveis no Brasil da CAPES e outras agências de fomento. É muito legal a experiência, você não só aprende, conhece pessoas, contatos de trabalho e acessa recursos, mas também é uma oportunidade rica de crescimento profissional e pessoal pela a imersão de estar em uma cultura toda diferente. Então, eu vejo que assim que existir a oportunidade, se prepare bem para fazer a pesquisa e escolher um bom grupo, eu recomendo muito para alunos que tenham vontade de fazer um intercâmbio pois a experiência é muito boa.

6- Alguma outra dica sobre vir morar na Suécia?

Bom, antes de eu vir eu conhecia muito pouco sobre a Suécia, sua cultura e outras coisas. Mas eu vejo que a adaptação foi fácil, pensando para quem chega pela primeira vez em um novo país. Uma dica seria o idioma, ter o inglês como um ferramenta, já que é um benefício que todos na Suécia falam inglês tanto no ambiente acadêmico, como na cidade. Você não vai ter problemas nos mercados, nas lojas, mas precisa ter o inglês garantido. Além disso, é bem tranquilo, a comida não é muito diferente e sempre tem muitos alunos intercambistas que podem ajudar, e muitos brasileiros também, que são vínculos que ajudam bastante também.

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5 características da cultura sueca que não tem como não amar

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A questão cultural é sempre importante quando saímos da bolha da nossa própria cultura. Tem coisa que a gente só percebe que faz quando confrontado por alguém fazendo diferente, e esse aprendizado pode ser muito divertido. Na Suécia, como em qualquer país, características específicas da cultura fazem parte do que é “ser sueco”. Decidi trazer aqui 5 pontos que, na minha opinião, dizem muito sobre a Suécia e a vida por aqui. Nessa lista eu incluí aspectos que eu amo da cultura sueca e que acredito vou carregar comigo mesmo morando em outro lugar.

1.São fanáticos por Fika                    

Fika é uma entidade na Suécia. Se você ainda não sabe o que isso significa, esse é a hora de aprender, por que provavelmente vai ser a palavra mais ouvida, a ação mais comum e o momento mais esperado do seu dia. Talvez eu tenha exagerado um pouco, mas a verdade é que Fika é quase uma religião sueca. Simplificando, Fika significa a pausa para um café, um doce e uma conversa, ou seja, é um momento inteiramente dedicado para parar o que você está fazendo e curtir essa pausa e a companhia, mesmo que sozinho. Pode ocorrer em qualquer lugar, e quase a qualquer hora pela minha experiência. Depois de quase um ano vivendo aqui, posso dizer que eu também já estou fanática por Fika.

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2.Tudo deve ser Lagom

Não existe tradução exata de Lagom no português. Seu significado se aproxima de “na medida certa”, ou seja, nem demais, nem de menos. Essa palavra representa a aversão dos suecos por tudo que é exagerado e carrega uma conotação de perfeição, ou melhor, de encontrar o equilíbrio perfeito, em tudo. Os suecos procuram “ser Lagom” em diversos aspectos, enxergando verdadeira virtude na moderação. Eu adoro esse conceito porque acho ele muito libertador, ninguém tenta ter sempre mais, nem se mostrar demais por aqui, inclusive isso pode ser mal visto.

3.Eles não se gabam de nada

Esse aspecto se relaciona um com o anterior, se os suecos gostam de tudo na medida certa, eles não gostam muito de pessoas que querem ser, ou parecerem, melhores do que todo mundo. Assim, na Suécia ninguém sai se gabando das suas suportas qualidades, nem tenta se autopromover ou diminuir seus companheiros. A sociedade igualitária dos suecos pressupõem que todos sejam mais ou menos iguais, e isso inclui moderação também na forma como você se vê e se mostra para os outros. Portanto, não é fácil elogiar um sueco, ele provavelmente vai dizer que não merece e desconversar com timidez. Entender esse aspecto da cultura sueca é importante também em entrevistas de emprego, nas quais eles sempre vão querer que você mostre suas qualidades de maneira concreta e moderada, claro.

4.Adoram estar na natureza

Estar na natureza também é uma parte importante da cultura sueca. O país possuem grande parte de suas terras cobertas por florestas características de clima temperado, e os suecos sabem como aproveitar essa abundância. Seja praticando esportes, caminhada ou acampando, aqui é muito fácil ficar em contato com a natureza. Existe inclusive o costume sueco de, quando é temporada, sair em família para colher cogumelos entre as árvores, já que aqui eles crescem em qualquer lugar quase. Além disso, é estabelecido por lei que qualquer um pode andar de bicicleta, esquiar e acampar em qualquer lugar que não seja uma propriedade privada. Morar em Liköping é um vantagem nesse ponto, no meio da cidade existem muitas áreas verdes, florestas e parques. Em pouco tempo é possível estar no meio da natureza e aproveitar o melhor de ambientes mais rurais, um verdadeiro privilégio.

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5.Evitam hierarquia

Isso foi uma coisa que só percebi que é forte no Brasil quando cheguei aqui e vi a naturalidade das relações na universidade, no trabalho e entre as pessoas em geral. Não que não haja respeito, inclusive acho que demonstra até mais respeito a liberdade que todos têm em abordar um superior, perguntar em sala de aula e propor novas formas de fazer as coisas. Aqui ninguém chama o professor de professor e eu, enquanto aluna, me sinto muito mais ouvida. O tratamento é realmente de igual pra igual e as contribuições são sempre levadas em consideração não importando da onde vieram. No ambiente de trabalho isso também é um aspecto importante, como funcionário os suecos têm muito mais autonomia e não ficam esperando ninguém falar o que eles devem fazer, também podem propor mudanças e conduzir suas próprias atividades. Maravilhoso, não é?

 

E aí? Ansiosos para experimentar essa cultura e se tornarem um pouquinho suecos também?

Aspectos culturais também estão presentes em hábitos do dia-a-dia e em como as pessoas se comportam, eu já escrevi sobre isso aqui. Dá uma olhada que vale a pena já ir se preparando.

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Alergia de Primavera

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Oi gente!

Foi mal a falta de posts mas fim de período é assim: todo mundo correndo pra acabar todos projetos e estudar pra prova haha

Agora que eu já estou quase de férias, eu decidi que seria uma boa contar pra vocês um pouco do que tem de ruim na primavera sueca:

  • Alergia!!

Antes de chegar aqui, eu sabia que tinha alergia a poeira. Só. Depois do inverno sueco, descobri que também sou alérgica a polén…. o que quer dizer que meus dias nos últimos meses tem sido repletos de espirros! Uma amiga chinesa disse que com o tempo (depois de cinco anos morando aqui), a alergia dela piorou e os olhos ficam super vermelhos… eu espero que isso não aconteça comigo!

De qualquer jeito pros alérgicos de plantão: Eles vendem vários produtos para alergia durante essa época aqui, mas se você já é acostumado com algum remédio do Brasil, talvez seja uma boa trazer (:

  • Andar de bicicleta na primavera

Durante a primavera, algumas flores se transformam naquela que todo mundo ama fazer vídeo no exterior (uma branquinha, que você sopra e ela se ‘desintegra’ ; foi mal não saber explicar melhor haha). O problema é que vento + essa florzinha = coisas voando o tempo TODO! Toda vez que ando de bicicleta preciso tomar cuidado pra não engolir plantinhas, não sou muito fã disso haha

Mas claro que no fim das contas nada supera como a cidade fica LINDA na primavera! Flores por todos lugares, temperatura agradável, sol durante muitas horas do dia…. Nem a alergia, nem as flores voando superam isso.  A primavera na Suécia é maravilhosa. Mal posso esperar para ver como será meu primeiro verão. E ah, até agora foi a época do ano que mais vi gente na rua! Também depois do frio e escuridão do inverno…todo mundo quer um pouco de calor e luz do sol!

Até a próxima gente!

Duda

 

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Feriado na Suécia

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Oi gente!

Esses últimos dias eu não tive aula por conta de diversos motivos diferentes (época de re-exame, feriados, e mais feriados…). Porém, infelizmente, esse feriado não consegui fazer viagens longas porque tinha muito a estudar… Mas não dava pra ficar duas semanas só estudando né??! Por isso decidi alugar um carro, e acabei indo para uma reserva da natureza chamada Ekopark Omberg, e devo dizer que superou todas minhas expectativas! Esse Ekopark é a uma hora de carro de Linköping e aconselho a adicionar a sua lista de lugares para ir.

Minha primeira parada foi nas ruínas de um antigo monastério. O legal é que tem paquinhas explicando tudo que você vê, muito bem organizado.

Ruínas de um Monastério. Crédito : Henrik Forsberg

Depois fui fazer as trilhas do parque. Andei MUITO! Segundo meu aplicativo do Iphone, eu andei 14.2 km, subi o equivalente a 86 andares e tive 23.120 passos. Mas compensa muito muito muito! (ps1. vide fotos abaixo) ( ps2. E se você for preguiçoso, dá pra andar menos e fazer mais partes de carro).

Surreal demais né?

Minha vista do almoço…

A temperatura da água tava um pouco gelada, mas ainda assim tinham pessoas mergulhando. Fiquei bastante triste por ter esquecido o biquini, então se tiverem indo na primavera/verão….não esqueçam!!

Espero encontra-los em agosto,

Duda

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6 situações que os suecos encaram muito diferente dos brasileiros

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Morar em outro país é se deparar diariamente com uma situação fora do que você tá habituado. São coisas pequenas, que a gente nem percebe que faz quando está no nosso país, mas é só chegar no exterior que percebemos alguns traços marcantes da convivência, de como as pessoas se comportaram e se organizam. Tudo isso fala também sobre a cultura de um lugar, e mesmo que não sejam fatores que vão mudar muito a sua vida uma vez aqui, entender essas diferenças é importante e, mais que isso, necessário.

Depois de um tempo, sem nem perceber mais, você já tá agindo igual todos a sua volta, esse é o tamanho da influência do ambiente na nossa forma de agir. Eu sempre sempre me sinto um pouco mais sueca quando percebo o quanto já me acostumei com algumas situações que para um brasileiro podem ser bem diferentes. Pensando nisso fiz essa listinha com 6 aspectos/situações/costumes Suecos que você vai estranhar num primeiro contato e por isso é legal já ficar esperto. Mas liga não, tudo é questão de hábito.

1- Fila do supermercado

Talvez não fosse a primeira coisa que você ia pensar, mas a fila pra passar no caixa do supermercado aqui é bem diferente. No Brasil é aquele caos, demora, ninguém tá muito atento pra o que tá fazendo. Na Suécia, não. O caixa vai bem rápido. As pessoas já vão colocando as compras na esteira e tem uma plaquinha que você usa pra indicar que a sua compra termina ali. Do outro lado tem duas divisórias assim duas pessoas podem embalar as compras ao mesmo tempo. Ou seja, processo é rápido e você precisa estar atento, não dá pra ficar viajando.

 

2- Esperando o busão

Uma coisa sobre os suecos é que eles prezam por seu espaço pessoal. São muito educados, mas bem reservados. Isso é possível observar também no ponto de ônibus, enquanto esperam, as pessoas ficam dispostas em fila com mais ou menos 2 metros de distância entre cada um. Nada parecido com o Brasil, né?

3- Andando de bicicleta

Vindo de São Paulo, a bicicleta pra mim até mais do que um meio de transporte, é uma atividade de lazer. Aqui em Linköping é principalmente um meio de transporte, tanto que debaixo de neve e temperaturas pra lá de negativas, você vai ver as pessoas indo pra algum lugar à pedaladas, e inclusive carregando seus filhos junto.

4- Comprando uns bons drinks

Tem coisa que a gente só da valor quando perde. Não é que aqui não tem bebida alcoólica, mas o acesso é bem mais controlado que no Brasil, sendo a venda feita apenas em lojas específicas para isso, chamadas Systembolaget. A questão é ela não fica aberta 24h, inclusive fechando mais cedo de sábado e bem abrindo no domingo. Ou seja, precisa de planejamento, coisa que a gente não tá lá muito acostumado no Brasil.

 

5- Chegando no rolê

No Brasil a gente não precisa de muita desculpa pra abraçar, beijar e demonstra afeto. Quem já não chegou numa festa e teve que dar beijinho em 20 desconhecidos? Na Suécia, por outro lado, as pessoas geralmente falam oi com um aceno ou aperto de mão tímido. Outro coisa que talvez seja o maior choque cultural de todos é a pontualidade. Para os suecos, 1min depois do horário marcado já é atrasado, e eu não estou exagerando. Enquanto para nós 15 min nem contam, pra eles é fora de cogitação.

6- Reciclando garrafas/latas

A reciclagem na Suécia já é uma prática bem estabelecida, de forma que 99% do lixo aqui é reaproveitado. Um sistema deles que eu acho bem legal e que me impressionou quando eu cheguei são as máquinas que recolhem garrafas pet e latinhas. Elas ficam na frente do supermercado, você vai inserindo uma por uma e recebe dinheiro em troca na forma de um vale pra usar no supermercado. A melhor parte é que cada latinha vale uns 40 centavos!! Garrafa pet vale uma fortuna. Reciclagem realmente compensa na Suécia.

 

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