Multicultural

 

 

Nem parece que já faz um mais de um ano que eu me mudei para Linköping. No primeiro semestre por aqui tudo era tão novo, a comida, os lugares e principalmente as pessoas. Não apenas os suecos (que fizeram eu me apaixonar por esse país desde o primeiro instante) mas pessoas do mundo inteiro que estava estudando, e morando comigo. E não é forçca de expressão, desde que me mudei pra cá já morei com pessoas da Suécia, França, Espanha, Bósnia e Herzegovina, India, Pakistão, Bangladesh, Japão, Estados Unidos e México. Com cada um deles eu aprendi algo novo desde de como cozinhar arroz de uma maneira totalmente nova – sim, existe mais de uma meneira – até lições de vida.

 

Porém essa convivência multicultural intensa não vem sem desafios. Muitas vezes noções basicas do que é limpar a cozinha por exemplo ou escrever um relatório são dadas como certas e universais, entretanto na prática não funciona assim. Cada um chega com uma bagagem cultural imensa é preciso se adaptar. Quanto tempo, quantas reuniões e deszafensas serão necessárias? Infelizmente isso eu não posso responder. Mas posso afirmar que para mim quatro períodos foram mais que suficientes.

Agora no começo do segundo ano o clima é diferente dentro e fora da sala de aula. A agitação do primeiro semestre foi subistituida por um clima acolhedor, depois de um ano estudando juntos a nossa pequena turma de um pouco mais de vinte alunos virou uma segunda família. A chegada prematura do inverno essa ano veio com um ar de nostagia do inverno passado e saudades do verão que não veio esse ano (vamos combinar que vinte graus não é verão).

No lado esquerdo, a foto tirada em Fevereiro de 2019. No lado direiro, foto do mesmo lugar (Ryds Allé) em Outubro de 2019.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E no final, não são só pelas lições que se aprende em sala de aula que se vem tão longe de casa para estudar…

Até a próxima!

Hanna

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Brasileiro aluno de engenharia da computação na LiU fala sobre sua experiência na Suécia e na RoboCup 2019

 

 

Estudante de bacharelado na LiU, Matheus se mudou para Suécia com a família quatro anos atrás quando seu pai veio para um doutorado. Após terminar o ensino médio e mudar para a Suécia em 2015, o hoje aluno de engenharia adentrando seu terceiro ano, passou 3 semestres aprendendo sueco com o objetivo de cursar a graduação integralmente no país. Matheus estuda engenharia da computação e em 2019 participou da RoboCub na Austrália e esteve no Brasil visitando o RoboIME. Nessa entrevista ele conta um pouco mais como é fazer parte da LiU, seu curso e suas experiências na área.

Como está sendo sua experiência de realizar a graduação na Suécia?

No começo foi complicado, primeiro porque engenharia já não é fácil, e segundo por ser engenharia em sueco, que é uma língua que eu absolutamente não conhecia antes de me mudar para cá. Foi complicado então no começo ousar a, por exemplo, fazer uma pergunta durante a aula, ainda mais em uma sala com duzentas pessoas e em um idioma que eu ainda não dominava. Mas pouco a pouco você vai pegando o jeito de falar, vai se ambientando e fica mais fácil. Hoje em dia eu já me sinto mais tranquilo, o pessoal nem percebe que eu sou de fora e eu me sinto confortável para participar ativamente das aulas. A experiência tem sido bastante positiva.

E sobre o curso de engenharia em si? Quais são as suas impressões?

O curso é bastante voltado à realidade, claro que aprendemos a teoria por trás do funcionamento das coisas, mas desde o começo já somos expostos, no meu caso, a linguagens de programação, projetos voltados à realidade, sendo assim bastante prático. No Brasil, geralmente os primeiros anos de cursos de engenharia são carregados de matérias básicas, como física, cálculo, sendo que muitas vezes a especialidade só escolhida no terceiro ano, foi assim com o meu pai. Aqui não, por isso, inclusive comparando com a experiência dele, vejo que é uma abordagem extremamente positiva.

Agora em 2019 você foi pra Austrália competir na RoboCup, você poderia contar um pouco sobre sua trajetória até lá?

Bom, do comecinho então. No meu primeiro ano, eu tive um curso onde cada um podia escolher um projeto que queria desenvolver, podia ser um jogo, ou um robozinho que realizava alguma ação, entre outras coisas. Eu escolhi um que era feito junto com a associação de robótica da LiU. Assim, nosso projeto foi criar robôs que jogassem futebol, sendo isso o que eu fiz no meu primeiro semestre. Isso despertou meu interesse por robótica, mas depois que acabou o curso eu me afastei desta área. Foi quando no segundo ano, um amigo que virou presidente da associação, me convidou para fazer parte da equipe da RoboCup na categoria “robot at home”, com a qual eu comecei a trabalhar no segundo semestre de 2018. Essa categoria tem o objetivo de desenvolver tecnologias que possam ser utilizadas em casa e a gente desenvolveu um robô que ajudasse nas tarefas domésticas, como carregando o lixo pra fora, interagindo com pessoas através da fala, sendo mostrado em um tablet o que o robô estava pensando e o que ele iria fazer.

RoboCup 2019

E como foi participar de um evento como esse?

A experiência em si foi bastante positiva, passamos 10 dias em Sydney apresentando esse projeto que passamos 1 ano preparando. Chegando lá os 7 primeiros dias foram bastante puxados, sendo todo das 7 da manhã às 11 da noite na arena preparando as coisas, já que você chega lá e precisa montar e testar tudo, fazer as coisas funcionarem. Então os primeiros dias de competição foram bem intensos, mas bem legais. A competição é composta por diferentes exercícios que o Robot precisa realizar, sendo dividida em 3 fazes, divididas em níveis de dificuldade e que a equipe precisa passar pra chegar na terceira e última fase, a mais difícil. Os exercícios são por exemplo o robô entrar no quarto, conversar com o operador e fazer o que ele pedisse, por exemplo, encontrar uma pessoa em outro cômodo. Outro exercício podia ser fazer um atividade de garçom, perguntando o que as pessoas queriam comer e servindo elas. Como éramos somente entre 6 e 7 pessoas trabalhando no projeto, e com pouco tempo, não passamos da primeira fase. No total eram 6 equipes e apenas 3 passaram pra segunda fase, nós acabamos em quarto lugar. Os australianos ganharam em primeiro lugar e os chilenos em segundo. Mas a experiência de estar lá foi muito positiva, tive a oportunidade de entrevistar o project manager da equipe ganhadora, e ele viu no nosso trabalho muito potencial de crescer para o próximo ano.

O que mais te inspirou nessa experiência?

Aprendi bastante a trabalhar em grupo, a lidar com pessoas que não pensam como eu, além de muitos aspectos técnicos do projeto que eu não sabia antes e que precisamos consertar na hora ou pedir ajudar para as equipes que estavam lá. Aprendi também como a estruturação da equipe faz diferença, e não só o projeto técnico, percebendo a importância do project manager. Inclusive hoje já iremos ter uma reunião para avaliar a competição desse ano e planejar para o ano seguinte.

Esse ano você também visitou RoboIME, o Laboratório de Robótica do Instituto Militar no Rio de Janeiro que é parceiro da LiU. Como foi estabelecer esse contato e o que você traz dessa oportunidade?

Primeiramente, eu encontrei eles lá em Sydney na competição já que tinha alguns amigos participando, e eles foram muito bem na categoria deles, terminando em segundo lugar. Lá conheci mais pessoas da equipe e acabamos combinando de eu visitar o laboratório do IME já que eu passaria 1 mês no Rio de Janeiro. A troca de experiências foi bem legal, pude ver o que eles fazem. O que mais me chamou a atenção em comparação com a nossa associação na LiU, foi que aqui somos mais focados na computação, sendo que compramos os robôs prontos. No IME os robôs são feitos a mão, tendo foco em computação, mecânica e eletrônica que cooperam para fazer o robô funcionar. Eu diria que como aqui focamos só na computação, temos a oportunidade de fazer exercícios um pouco mais complexos. Eu levei uma apresentação para mostrar o que estamos fazendo aqui na Suécia e chegando lá o professor Paulo Rosa do IME me chamou para uma aula com os alunos do quinto ano de robótica do instituto. Tudo foi muito positivo, com um pessoal bem interessado em saber do nosso trabalho.

Matheus apresentando seu trabalho no RoboIME

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Pesquisa sobre o Brasil na Suécia

Oii pessoal;

Depois de um curto e frio (para padrões brasileiros) verão sueco estou de volta para contar um pouco de como foi passar as férias na Suécia trabalhando em um projeto de pesquisa sobre o Brasil.

Aqui no blog já foi comentado algumas vezes sobre a relação próxima entre o biogás e Linköping. Na Suécia, diferentemente de outros países na Europa, o biogás é produzidoa partir do lixo orgânico coletado nas residências e vira combustível (bio metano) que abastece o transporte público além de veículos privados.

Unidade de produção de biogás em Linköping. (Fonte: Svenska Biogas)

Desde o começo do meu mestrado (Sustainable Engineering and Management) tive contato com diversos pesquisadores e profissionais na área do biogás. No começo de 2019 fui chamada por um Professor para auxiliar em uma pesquisa na área de internacionalização da tecnologia sueca de biogás em parceria com o Biogas Research Center.

Em uma sessão de supervisão de uma projeto em grupo, meu supervisor comentou que o departamento estava começando uma pesquisa sobre o mercado de biogás no Brasil e perguntou se eu tinha interesse em participar. Três meses depois eu começava uma pesquisa como Amanuens no Departamento de Tecnologia Ambiental e Industrial. Durante os quatro meses de pesquisa tive a oportunidade de planejar e executar um projeto de pesquisa com auxilio de diferentes Professores na LiU. O projeto culminou em um relatório e durante a reunião anual do Biogas Research Center eu pude apresentar meu projeto para professores e representantes de diferentes empresas suecas no setor de energias.

Pra quem tem interesse em trabalhar com pesquisa, a LiU oferece diversas oportunidades. Os alunos podem entrar em contato direto com os professores ou se inscrever para as vagas abertas no site da universidade. A carga horária varia de acordo com as necessidades de cada departamento mas em geral são bem flexíveis para que os alunos possam conciliar estudos e pesquisa.

Fiquem a vontade para mandar perguntas e comentários sobre projetos de pesquisa e estudos.

Até a próxima;

Hanna

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Verão em Linköping – Minhas 3 atividades favoritas

Oi gente,

Depois de muito tempo sem postar aqui, fiquei com saudades hahaha E junto com a saudades de escrever para vocês, veio a saudades do verão. 🌞 O dia hoje amanheceu com uma chuva…talvez seja por isso que deu tantas saudades haha

Eu decidi fazer para vocês uma lista das minhas três atividade favoritas de verão em Linköping!! Espero que vocês gostem do tema – um pouco de como é a vida aqui na Suécia.

1 – Nadar na Blue lagoon

Nã0 é todo dia no verão que o clima estará bom para você ir nadar, porém, esses dias sempre existem! E quando faz sol e temperatura boa, os suecos aproveitam para saírem e irem para lagos. Aqui perto de Linköping, a Layla descobriu um lago lindo! (vejam as fotos e babem comigo) E o melhor de tudo, é um lugar perfeito para passar o dia e nadar à vontade. Demora uns 20 minutos de bike até lá, mas no caminho tem um visual bem legal das fazendas suecas e uma igreja rosa linda (vejam a foto abaixo). Eu sempre faço paradas no caminho pra apreciar o visual.

A igreja rosa no caminho da Blue lagoon.

A lagoa.

2 – Ir na floresta do Ryd para pegar blueberry and framboesa (raspberry).

Verã0 na Suécia significa que tem várias frutas disponíveis para serem tiradas direto do pé. E foi isso que fiz diversas vezes… Ia correr ou andar na floresta, e aproveitava pra sair de lá cheia de frutas diferentes. Eu NUNCA tinha comido blueberry e framboesa frescas – é muito bom! Algumas pessoas pegam essas frutas e fazem tortas, sorvetes… As possibilidades são infinitas! Definitivamente vale a pena ir fazer isso.

3 – Pegar morango no Tift Södegård

Similar à atividade de cima, tirar morango do pé é umas experiência incrível (pelo menos para mim, amante de morangos 🍓🍓). No Tift Södegård você paga o kg do morango que você tira, com preços geralmente melhores do que nos supermercados. Ah Duda, e porque eu não pego na floresta mesmo? É MUITO difícil achar morangos silvestres… achei UMA vez aqui, perto dos canais em Linköping… e ainda assim, preferi os do Tift Södegård.

Espero que vocês tenham gostado da minha lista. Tem mais atividades para se fazer durante o verão aqui, eu só citei três entre minhas favoritas.

Até breve!

Duda

 

 

 

 

 

 

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Pesquisador da UNICAMP da área de robótica visita LiU e estabelece parcerias

Aldo Diaz, aluno de doutorado pela faculdade de engenharia mecânica da UNICAMP, em seu quarto ano e próximo de defender sua tese veio para Linköping como parte do programa de doutorado sanduíche com bolsa concedida pela CAPES. Inicialmente com a intenção de ficar seis meses na Suécia, Aldo estendeu sua estadia por mais dois meses para aprofundar suas atividades de pesquisa e participar de mais duas matérias relevantes para sua área de atuação.  Nessa entrevista, o peruano que mora há 6 anos no Brasil e pra lá vai voltar em breve, conta um pouco sobre sua experiência dos últimos 8 meses como doutorando no departamento de controle automático da LiU.

1- Sobre o que é a sua pesquisa e o que te trouxe para a LiU?

O meu foco de pesquisa é na área de robótica, eu trabalho com processamento de imagens e algoritmos para a navegação de robôs, basicamente. Assim, entrei em contato com a universidade por recomendação do meu orientador no Brasil sobre um programa no qual tinha uma oportunidade para bolsas na Suécia. Sabendo disso, comecei a procurar e encontrei em Linköping muitos bons pesquisadores da minha área, entre eles o professor Frederick Gustafsson, que hoje é meu orientador aqui. Entrei em contato com ele através de e-mail propondo fazer um intercâmbio e ver um tema à fim para poder trabalhar durante esse período. Vendo o site e os trabalhos publicados pelos pesquisadores da LiU, muitos dor projetos por eles desenvolvidos se relacionavam com àqueles que estávamos realizando no Brasil. Assim pudemos estabelecer essa parceria.

2- O que você acha que faz um doutorado na universidade de Linköping ser diferente? O que você encontrou aqui que faltava no Brasil?

Linköping oferece muitas facilidades e uma experiência muito rica por conta da relação de colaboração e proximidade que eles têm com indústrias, tanto científica como tecnológica, e que se refletem nos trabalhos dos alunos de doutorado. Isso se dá graças também a grande presença dessas indústrias nos arredores da universidade, que contribuem para o desenvolvimento das pesquisas. Na minha área, e na engenharia em geral, essa colaboração é muito importante e possibilita a troca de informações, além de fornecerem equipamentos avançados de laboratório. Basicamente, eles têm aqui um laboratório muito bom de aquisição de dados que chama “motion capture”, que é bem sofisticado e caro de implementar, o que é um grande benefício. Tenho trabalhado com esse tipo de instrumentação na minha pesquisa aqui, podendo assim utilizar instrumentos que nós não temos no Brasil.

Aldo em sua sala com o livro de autoria de seu orientador que ganhou de presente.

3- A dinâmica de trabalho é diferente na Suécia em comparação com o Brasil?

A dinâmica é basicamente bastante similar, de forma que os alunos de doutorado são pesquisadores independentes. Mas o que eu posso acrescentar que é diferente na Suécia, é a facilidade de ter todos os professores e alunos do departamento em um mesmo corredor, o que ajuda muito o contato e conversas. Além disso, a cultura sueca de FIka (que é uma pausa para um café, um bolo e uma conversa), também cria um momento bom para aproveitar e tirar dúvidas talvez em um ambiente mais descontraído do que aquele do trabalho. Também, o tratamento com os professores é mais plano, o que pode ser um benefício.

4- Como você acha que essa experiência vai influenciar sua carreira?

Acredito que eu aprendi muito aqui, pelo trabalho de pesquisa e também com a colaboração com o departamento, estabelecendo assim parcerias e contatos. No intercâmbio, estou tendo a oportunidade de trabalhar, por exemplo, ao lado da indústria, que é experiência muito ricas em conjunto com a parte acadêmica. Além disso, pude trabalhar com o professor Frederick Gustafsson, que é uma referência na área de pesquisa em “sensor fusion”, com um livro publicado na temática e muito reconhecido enquanto profissional. Esses contatos são muito benéficos para nós pesquisadores no Brasil, que podemos esse tipo de alcance e relacionamentos, tanto na pesquisa quanto na indústria, sobretudo em temas de cooperação.

5- O que você diria para estudantes e pesquisadores pensando em fazer um intercâmbio acadêmico?

Digo que olhem as oportunidades e que mandem bala. A verdade é que há muitas oportunidades e formas de estabelecer vínculos através das bolsas disponíveis no Brasil da CAPES e outras agências de fomento. É muito legal a experiência, você não só aprende, conhece pessoas, contatos de trabalho e acessa recursos, mas também é uma oportunidade rica de crescimento profissional e pessoal pela a imersão de estar em uma cultura toda diferente. Então, eu vejo que assim que existir a oportunidade, se prepare bem para fazer a pesquisa e escolher um bom grupo, eu recomendo muito para alunos que tenham vontade de fazer um intercâmbio pois a experiência é muito boa.

6- Alguma outra dica sobre vir morar na Suécia?

Bom, antes de eu vir eu conhecia muito pouco sobre a Suécia, sua cultura e outras coisas. Mas eu vejo que a adaptação foi fácil, pensando para quem chega pela primeira vez em um novo país. Uma dica seria o idioma, ter o inglês como um ferramenta, já que é um benefício que todos na Suécia falam inglês tanto no ambiente acadêmico, como na cidade. Você não vai ter problemas nos mercados, nas lojas, mas precisa ter o inglês garantido. Além disso, é bem tranquilo, a comida não é muito diferente e sempre tem muitos alunos intercambistas que podem ajudar, e muitos brasileiros também, que são vínculos que ajudam bastante também.

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