Em Linköping também tem samba!

 

Anaísa Villani, brasileira, engenheira mecânica e apaixonada pelo samba, alcançou um feito e tanto: organizar um grupo em Linköping para dançar uma coreografia em homenagem ao Dia do Samba, comemorado em 02 de dezembro.

A iniciativa é parte do projeto do Dia Internacional do Samba, no qual equipes de diversos países ensaiam a mesma coreografia, compondo um grande vídeo com trechos de todos os grupos de bailarinos.

Anaísa respondeu algumas perguntas sobre essa empreitada, cujo resultado você pode ver  no vídeo final do projeto. Linköping, a única cidade sueca presente na edição de 2019, aparece aos 42:55.

Qual o motivo da sua vinda para Linköping?

Eu trabalho como engenheira mecânica na Embraer e vim para Linköping através do programa de transferência de tecnologia da Saab para institutos e empresas brasileiras.

Como surgiu a ideia de participar do Dia Internacional do Samba?

Sou do interior do Rio de Janeiro e há anos pratico dança de salão, o samba é meu ritmo preferido. Em 2016, quando morava em São José dos Campos, participei da primeira edição do projeto ISD – Dia Internacional do Samba, a convite do meu professor de dança na época.

Aqui na Suécia, minha ideia era formar um grupo para participar do evento e continuar praticando o samba. Entrei em contato com outros 2 grupos que haviam participado em anos anteriores, mas eles não tinham planos para a edição de 2019. Então dei a sugestão para a Natália, que é minha professora de zumba, para montar um grupo em Linköping. Por coincidência, a Natália também tinha participado na edição de 2016 do ISD.

Ela não se animou a puxar o grupo daqui, mas me incentivou a tomar a iniciativa e me apoiou nos ensaios. Divulguei o convite nas redes sociais para tentar reunir os brasileiros que vivem em Linköping, mas tive poucas respostas e achei que não iria vingar.

Foi quando comentei com a Erica em um dos encontros do Forró Linköping e ela topou participar. Entre colegas da aula de dança, frequentadores do forró, colegas de trabalho e colegas de outros colegas, conseguimos reunir 15 pessoas que participaram dos ensaios: 8 brasileiros, 6 suecos e uma estadunidense.

Qual a familiaridade que o grupo tinha com o samba?

Os brasileiros conheciam bem o ritmo e tinham interesse em participar de um evento ligado à promoção da cultura brasileira, mas nem todos tinham prática na dança.

Já os suecos e a estadunidense tinham familiaridade com outras danças, mas foi a primeira vez que tiveram contato com o samba. Acredito que o interesse deles era conhecer um novo estilo e ao mesmo tempo representar Linköping e a Suécia no evento internacional.

Como você avalia  o resultado final dessa empreitada? Pretende continuar em 2020?

Eu me diverti muito ao longo do processo! Na minha primeira experiência no exterior, quando estudei na França durante a graduação, eu senti muita falta do Brasil. Acredito que manter contato com a nossa música e a nossa dança me ajuda muito a me sentir mais próxima de casa.

Acabei praticando muito mais samba do que eu esperava, para aprender os passos e mostrar a coreografia para os demais. No final dos ensaios, 10 pessoas participaram dançando no vídeo. Fiquei bastante feliz ao ver como todos se divertiram e como as pessoas daqui se interessaram em conhecer o samba. Pretendo repetir este ano!

O grupo de sambistas de Linköping escolheu o nome Tupinivikings e você pode vê-los dançando em algumas paisagens do colorido outono sueco no parque que fica no centro da cidade, o Trädgårdsföreningen.  A edição é minha e a Anaísa é a dançarina ao centro, como vocês podem imaginar.  🙂

Até a próxima!

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Brasileiros em Linköping: a experiência de um doutorando na LiU

 

Filipe Barbosa, engenheiro elétrico e mestre pela USP, veio de Minas Gerais pra Suécia após aplicar para uma vaga de doutorado anunciada no site da LiU. Quase sem tempo pra respirar entre a defesa de seu mestrado e a mudança para esse país nórdico, Felipe conta aqui um pouco da sua história e dia-a-dia como doutorando no departamento de robótica da universidade.

1- Qual a sua história e como você veio parar na Suécia, Filipe?

Então, eu nasci em uma cidade pequena em Minas Geras e cresci em Uberlândia que foi onde eu me graduei em engenharia elétrica, na Universidade Federal de Uberlândia. Depois da graduação eu decidi fazer mestrado, foi quando fui para a USP em São Carlos. Lá eu trabalhei em um projeto de robótica mais voltado para veículos autônomos, no qual eu trabalhei com controle ótimo e robusto. Perto de terminar, eu comecei a pensar em trabalhar fora, fazer um doutorado, foi quando eu pedi algumas dicas para um professor do departamento. Esse professor já havia visitado a Universidade de Linköping e me disse para tentar, que havia um pessoal bom trabalhando na mesma área que eu. Aí eu tentei e deu certo.

2- Então você aplicou para o doutorado diretamente na LiU, como foi esse processo?

Sim, exatamente. Eu olhei no site da universidade, na seção de vagas, e o processo seletivo estava aberto. Eu já estava com todos os documentos quase prontos: currículo, carta de motivação, histórico. Foi então que eu apliquei e na sequência recebi um e-mail de um professor do departamento para fazer uma entrevista, que foi agendada para dois dias depois da minha defesa de mestrado. Todo o processo foi bem rápido na verdade e em uma semana eu já fui notificado que tinha conseguido a vaga. Isso foi em Dezembro e acordamos de eu vir em Março.

Filipe na sala que divide com outro doutorando.

3- Qual é o foco da sua pesquisa?

A minha pesquisa de doutorado tem como objetivo tentar resolver o problema de controle ótimo para guindastes de containers em operações portuárias, em inglês é chamado “ship to shore”, e é basicamente o guindaste que pega o container do caminhão e move para o navio. O que queremos é minimizar esse tempo de operação, já que hoje os navios ficam muito tempo no porto e o sistema é semi-automático, otimizando o processo e aumentando a produtividade.

4- Como tem sido sua experiência até o momento como doutorando na Suécia?

Eu não sei como é em outras áreas, mas aqui no meu departamento o que me tem me chamado a atenção é como a pesquisa é mais aplicada em comparação ao Brasil, pelo menos considerando a engenharia elétrica. A parceria com empresas possibilita isso. Eu estou dentro de um projeto, denominado “Competence Center”, ou LINK-SIC, do qual várias empresas participam junto com a universidade, com patrocínio da Vinnova. Eu, no caso, estou trabalhando em conjunto com a ABB, sendo que já tive duas reuniões com a empresa para apresentação e alinhamento, onde discutimos os problemas a serem resolvidos e os resultados esperados. Como parte do meu projeto eu também vou utilizar um simulador que eles possuem, além de viajar para a sede da ABB constantemente. Além da minha pesquisa, eu exerço atividades de ensino como “Teaching Assistant”, que envolve estar em classe auxiliando os alunos. Então, no meu dia-a-dia eu preciso conciliar essas atividades já que 20% do meu tempo eu devo dedicar ao ensino.

5- E como tem sido viver a cultura sueca e você enxerga alguma barreira para um brasileiro pensando em se mudar para a Suécia?

Tem sido bem legal. Talvez um ponto negativo seria o clima, que eu não imaginava que poderia chover tanto. Mas a cultura sueca eu tenho achado muito interessante, principalmente aqui no departamento onde as coisas são mais horizontais, a hierarquia não é tão forte como no Brasil. Aqui eu tenho mais liberdade, fazemos às vezes um afterwork, inclusive em conjunto com os professores. Outra coisa que me surpreendeu bastante foi como todos aqui tentam te integrar no grupo, ao contrário da impressão que eu tinha antes de chegar, dos suecos como pessoas frias e distantes. Isso foi um ponto positivo, me integrei até mais rápido do que quando começando o mestrado.

Sobre as barreiras, no Brasil a gente tem a cultura de chegar e já abraçar, o que aqui pode assustar as pessoas. Quando você for conversar com as pessoas talvez é melhor respeitar uma certa distância, já que a cultura é um pouco diferente. Mas na rua todos são muito educados e inclusive sempre sou cumprimentado pelos meus vizinhos.

6- Quais são as suas perspectivas de carreira com esse doutorado?

Acredito que varie de área para área, mas uma coisa que ouço muito desde a graduação é como parece que existe um abismo entre os acadêmicos e as pessoas que trabalham na indústria, e eles conversarem é o que eu acho ser o mais importante. Eu tendo essa oportunidade de usar meus resultados em uma aplicação prática, além de conhecer pessoas e fazer esse meio de campo entre a academia e a empresa, acredito irá me ajudar muito no futuro. Também me beneficio muito da infraestrutura da universidade, onde inclusive divido uma sala com outro doutorando e matemos a política de portas abertas, na qual devemos sempre estar disponíveis para trocar ideias com os demais colegas

7- Por fim, alguma dica para brasileiros querendo vir para a Suécia?

Primeiramente, eu diria para colocarem bastante atenção em moradia, por que eu não tinha ideia de como pode ser difícil conseguir um lugar para morar, então isso deve ser visto com atenção. Com relação à universidade, o ritmo é um pouco diferente, principalmente nas disciplinas. O que nós vemos no Brasil em 4 ou 6 meses, aqui eles estudam em 2, sendo aula direto com intervalos de descanso entre matérias. Então tem que vir preparado pra esse ritmo.

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Informações úteis para inscrição no mestrado

Oi gente!

Sei que vocês já devem estar ligados nisso mas, gostaria de lembrar que o prazo para se inscrever para um mestrado internacional na Linköping University é até esta quarta feira! Isso mesmo,  dia 15 é o ÚLTIMO dia para se inscrever no site da University Admissions!

Se você ainda não escolheu que curso quer fazer aqui na LiU, não se desespere. Entre neste link e veja uma lista de todos os mestrados internacionais disponíveis na LiU, podendo ser de 60 créditos (um ano de mestrado) ou 120 créditos (dois anos de mestrado).

Para aqueles que já tem uma idéia do programa que quer, mas ainda esta em dúvida entre algumas opções… Que tal assistir entrevistas com os diretos dos programas ou estudantes? SIM! A LiU disponibiliza esses vídeo nesta página! Não deixe de dar uma olhadinha lá… e já sabe né? Qualquer dúvida pergunta aqui, que uma de nós do time terá o prazer de te responder!

Certo… agora vocês já escolheram o curso aqui da LiU… Ainda tem dúvidas sobre o processo de aplicação? A LiU fez um guia de como se inscrever pro seus mestrados internacionais. Isso mesmo! Esse guia pode ser encontrado na página da LiU, mas pra facilitar a vida de vocês, eu vou mais uma vez deixa esse link aqui.

E como esse blog aqui tem várias dicas legais, não custa nada checar as 5 dicas que a Layla deu para começar a se preparar para um mestrado na Suécia e o post que o André fez lá em 2017 falando sobre o processo de inscrição em detalhes (apesar de ser um post antigo, ainda muito relevante!).

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Lucia: uma celebração das luzes

 

Hoje eu escolhi escrever sobre uma tradição cultural sueca que é muito presente no início de dezembro por aqui, mas da qual eu nunca tinha ouvido falar antes: o dia de Lucia.

Antes de começar, vejam o vídeo abaixo para terem uma ideia do que se trata:

Um coro de suecas cantando em italiano o tema de Santa Luzia, a padroeira dos oftalmologistas? Pensando assim parece algo sem pé nem cabeça, mas vou explicar melhor o contexto.

A Igreja Sueca é uma igreja luterana nacional e tem características diferentes de outras denominações. Eu não sou uma pessoa religiosa e não imaginava entrar em uma igreja por aqui, mas fui surpreendida pelo que vi nesse dia de Lucia.

Fomos recebidos pela pastora que dirige a Mikaelskyrkan com uma fala nada proselitista. Ela nos deu as boas vindas e descreveu a programação do evento, nos convidando a pensar nas pessoas que trazíamos em nossos corações e, caso quiséssemos, a acender uma vela próximo ao altar.

Em seguida, a pastora deu a palavra a um senhor idoso, membro da comunidade, que nos explicou o significado daquela data de um jeito muito carismático e teatral. Ele explicou que antes da adoção do calendário gregoriano, a noite mais longa do ano caia no dia 13 de dezembro do calendário sueco. Neste dia de escuridão, os camponeses acreditavam que os demônios andavam sobre a terra e por isso se recolhiam em casa, passavam o dia comendo, bebendo e acendiam fogueiras e velas.

A incorporação de festas populares pelo cristianismo levou essa celebração para dentro das igrejas, substituindo as figuras demoníacas pelo imaginário cristão. Contudo, apesar da existência de uma Santa Luzia de Siracusa e de seu dia ser celebrado em 13 de dezembro, com a Reforma Protestante o culto a santos deixou de ser uma prática na Igreja Sueca.

Então por que a menina com a coroa de velas? Nosso anfitrião nos explicou que no começo do século XX houve uma retomada midiática do dia de Lucia com o surgimento de concursos de beleza em jornais e revistas para a escolha de uma jovem que sairia como Lucia na procissão anual, vestindo a coroa de luzes elétricas. Hoje os concursos de beleza não são uma prática comum e a escolha da Lucia se dá por outros critérios.

Depois de entender um pouco mais sobre o caráter multifacetado dessa celebração, fomos convidados para a melhor parte: fika. Enquanto saboreávamos os tradicionais lussekatter, pepparkakor e glögg, assistimos um conjunto de danças circulares suecas e de outros países europeus performado por membros da comunidade vestidos em trajes folclóricos.

Para escrever esse post, além da memória eu fui buscar informações no site do Museu Nórdico de Estocolmo e descobri mais uma informação interessante sobre a Igreja Sueca.

Se você chegou até aqui porque está se inscrevendo para estudar na Universidade de Linköping, eu te desejo muita sorte e auto-confiança no processo de inscrição.

Que os seus desejos se realizem! Bom fim de ano!

 

 

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Natal Sueco

 

O Natal sempre foi a minha época favorita do ano, e por aqui é um dos feriados mais celebrados e esperados. Ainda que  Brasil e Suécia compartilham muitas tradições cristãs algumas das tradições de Natal suecas são bem diferentes e se misturam ao folklore nórdico. Abaixo são quatro das minhas tradições de Natal suecas prediletas:

Julbock

Julbock é a “cabra de Natal” e faz parte da cultura sueca desde do tempo dos Vikings. Existem diferentes teorias da origem da julbock que envolvem festivais pagãos germânicos e os Deuses nórdicos. Como enfeite de Natal, a julbock é normalmente feita de palha mas pode ser também feita de galho e folhas de pinheiros. O tamanho também varia, desde de pequenos enfeites para a árvore de Natal até versões enormes que são exibidas no centro da cidade.

Julbock no mercado de Natal em Linköping

 

Julmarknad

Julmaknad é o mercado de Natal que acontece em nos finais que antecedem o Natal. Normalmente eles acontecem na cidade antiga (Gamla Stad) como é o caso de Linköping e Stockholm. Nas barraquinhas são vendidos produtos típicos, enfeites de Natal, glögg (vinho quente com especiarias, bem parecido com o quentão) e claro doces suecos como ischoklad e polkagris.

Julmarked em Gamla Linköping (fonte: visitlinköping.se)

 

Adventskalender

Advent significa antecipação em latin, e calendário adventista representa as quatro semanas que antecedem o Natal. Para cada um dos dias que precedem o Natal no caledário adventista existe uma janelinha que contém uma surpresa. Os calendários infantis são cheios de doces e balas, mas existem versões para adultos que vão desde de chá até jóias.

Adventskalender

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