Informações sobre o coronavirus

O assunto que está na boca do povo, literalmente.

Créditos: CDC via AP

Nas últimas semanas vim reunindo algumas informações sobre o avanço do coronavirus na Suécia e no condado de Östergötland (do qual Linköping é a capital) e fiz duas tabelas. A maior parte dos dados provêm do relatório diário da Agência de Saúde Pública da Suécia, que é atualizado sempre às 14h00. Já o número de mortes e de internações em cuidado intensivo em Östergötland vêm dos jornais Aftonblandet e Corren. Insiro as tabelas aqui, mas neste link vocês podem acompanhar as atualizações diárias.

Suécia   Östergötland
Data Casos Mortes UTI   Data Casos Mortes UTI
28/fev 5 X  X 17/mar 39 X  X
02/mar 14  X X 18/mar 52  X  X
19/mar 1423 10 X 19/mar 88  X  X
20/mar 1623 16 X 20/mar 116  X  X
21/mar 1746 20 X 21/mar 126  X  X
22/mar 1906 21  X 22/mar 137  X  X
23/mar 2016 25 81 23/mar 151  X  X
24/mar 2272 36 115 24/mar 181  X  X
25/mar 2510 42 144 25/mar 203  X  X
26/mar 2806 66 178 26/mar 221 5 14

Por enquanto, o governo sueco ainda não estabeleceu medidas restritas de isolamento social. Lojas, equipamentos de lazer, bares, restaurantes, creches e escolas de ensino básico e fundamental continuam funcionando. Contudo, como medida de segurança, as universidades pararam as atividades presenciais e desde 18 de março todas as aulas e exames são conduzidos à distância.

Para aqueles que estão ansiosamente aguardando o resultado do processo seletivo para ingresso em agosto deste ano, seguem alguns links (em inglês) recomendados pela universidade:

Cuidem de si e cuidem dos outros.

Com esperança de dias melhores, nos vemos na próxima.

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Um acidente na neve me levou a conhecer o sistema de saúde sueco

Como a Layla contou no último post, em janeiro fomos até Kiruna, no Círculo Ártico, para tentarmos ver a Aurora Boreal e conhecer o norte da Suécia.

Nós em cima de um lago congelado

Éramos 10 pessoas, entre as quais três brasileiras: Layla, Sandra e eu, todas estudantes de mestrado na Universidade de Linköping. Planejávamos ficar 4 dias em Kiruna, mas por um acaso infeliz eu e a Sandra ficamos apenas 1 noite.

Minha amiga Sandra, no centro de Kiruna

A neve é de uma beleza de cair o queixo, mas também é de um perigo de cair de bunda. Em uma caminhada curta, a Sandra escorregou no gelo e, para tentar parar a queda, se apoiou nas mãos. O resultado: pulso quebrado.

Estávamos num camping no meio do nada e já estava escuro (antes das 15h). Felizmente, tínhamos alugado carros e pudemos correr para o hospital de Kiruna, onde a saga pelo sistema de saúde sueco começou.

Não vimos a aurora boreal, mas decididamente conhecemos mais sobre este país. Do sufoco que acompanhei minha amiga passar, listo aqui algumas coisas que aprendi:

1- Sim, o sistema de saúde da Suécia funciona.

A Suécia tem um sistema de saúde universal e financiado majoritariamente pelos municípios e condados. No caso, Linköping é a capital do condado de Östergötland e o hospital da cidade é o hospital universitário, da foto abaixo:

Créditos: https://www.regionostergotland.se/us/

O primeiro atendimento que a Sandra recebeu foi na emergência do hospital de Kiruna. Como não havia ala cirúrgica naquele hospital e como posteriormente ela precisaria de cuidados terapêuticos por um período prolongado, a médica recomendou que voltássemos a Linköping para ela fazer a cirurgia e o tratamento no mesmo local.

Quando chegamos a Linköping, depois de 15 horas no trem, fomos ao plantão ortopédico do hospital. O médico que a atendeu viu as radiografias e disse que ela poderia ser chamada para a cirurgia em até 14 dias. Imaginem aguardar tantos dias com dor, esperando a ligação do hospital e sem ter a certeza da data marcada para diminuir a ansiedade?

No final o prazo foi mais curto, 7 dias de bastante angústia entre o acidente e a cirurgia, que felizmente foi um sucesso. Depois disso foram mais 14 dias com o gesso e desde a retirada do gesso ela está fazendo acompanhamento semanal com a terapeuta ocupacional. Apesar de o caso da Sandra ter sido uma emergência, para tratamentos médicos não emergenciais há uma lei que desde 2005 determina prazos parao fornecimento de tratamentos de saúde para a população.

De acordo com esta lei, uma pessoa que procura o serviço de saúde deve ter uma consulta marcada com um clínico geral em até 7 dias e o encaminhamento para um médico especialista ou para o agendamento de operações e tratamentos não pode demorar mais que 90 dias. Caso o condado não consiga prover o atendimento especializado ou a cirurgia dentro desse prazo, deve cobrir os custos de tratamento e de viagem para garantir que o paciente seja atendido em algum outro condado.

No Brasil, a velocidade de atendimento é proporcional às condições financeiras do paciente. Aqui na Suécia, o sistema pode não ser rápido, mas ele garante o atendimento de cerca de 80% da população dentro dos prazos determinados pela lei.

2 – As equipes médicas falam inglês, mas falar sueco faz falta.

Em todos os atendimentos em que acompanhei a Sandra, grande parte da equipe médica falava inglês. Enfermeiros, auxiliares e os médicos se esforçaram para dar as informações completas em inglês, o que foi um alívio. Porém os laudos e relatórios eram todos em sueco, o que nos mostrou a falta que faz ser capaz de se comunicar na língua nativa.

3 – Os valores são acessíveis.

As consultas aqui na Suécia não são gratuitas, nem mesmo nos hospitais públicos. Contudo, a maior parte do valor é coberta pelo Estado e o paciente paga taxas bastante acessíveis, valendo tanto para equipamentos públicos ou privados de saúde:

  • para internação o custo máximo pelo qual o paciente pode ser cobrado é de 100 coroas a diária;
  • para emergências ou tratamentos, o valor varia de 0 a 300 coroas, dependendo do condado;
  • para consultas com especialistas, o valor máximo é de 400 coroas.

Além disso, existe um teto do que pode ser cobrado dos pacientes, de forma que aqueles que precisam de tratamento de longo prazo tenham acesso à saúde sem comprometer suas finanças. Esse teto nacional é de SEK 1.100 por ano para consultas e de SEK 2.250 para medicamentos. Atingido o teto, a pessoa recebe os medicamentos e o tratamento gratuitos dentro daqueles 12 meses. Em 5 consultas a Sandra já havia atingido o teto para consultas, e assim recebeu essa carteirinha que garante a continuidade do seu atendimento.

Bacana, né?

No fim, minha amiga está se recuperando muito bem e além de uma vasta experiência com o sistema de saúde aqui na Suécia, dessa saga ela saiu com uma placa de titânio no pulso, 8 pinos e muitas histórias pra contar!

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Destino Kiruna: norte (bem norte) da Suécia.

 

No mês de Janeiro desse ano aceitei embarcar com alguns amigos para uma aventura tipicamente sueca, viajar para o norte do país e visitar a cidade de Kiruna. Quando eu digo norte é bem norte mesmo, Kiruna está localizada acima do circulo polar ártico. Você já deve estar imaginando qual era a minha primeira intenção em ir pra lá, não é? Isso mesmo, ver a tão famosa aurora boreal. Um dos fenômenos naturais mais lembrados quando o assunto é a região nórdica, a aurora boreal é um espetáculo luminoso criado pela natureza em decorrência de interações entre gases liberados durante tempestades solares e o campo magnético da terra. A aurora boreal não é um privilégio só da Escandinávia, ocorrendo em diferentes regiões localizadas ao extremo norte do globo.

Apesar da minha vontade em testemunhar tal fenômeno ter sido a principal motivação para essa aventura até Kiruna, eu já havia ouvido falar maravilhas sobre o norte da Suécia, todos descrevendo a região como uma experiência incrível. E foi mesmo. Assim, no início de janeiro subi em um trem com destino à cidade mais ao norte do pais e, 15 horas depois, lá estava eu. Na LiU há uma associação estudantil denominada ISA (International Students Association) que organiza periodicamente viagens para essa região, com tudo incluso e a possibilidade de realizar diferentes passeios por lá. É uma boa opção se você não está com tempo e disposição para organizar tudo entre seu grupo de amigos, o que definitivamente demanda mais tempo e logística.

No meu caso, eu me juntei a grupo de amigos da Myung, que escreve aqui no blog, e apesar de não conhecer a maioria, a energia de todo mundo bateu e tivemos uma experiência bem legal. Alugamos uma cabine no meio do nada, da qual poderíamos inclusive ver a aurora boreal. e também dois carros para que pudéssemos nos locomover pela região. Kiruna está dentro da província de Lapland, que ganhou esse nome em homenagem ao povo Lapão (Sami, em sueco), uma antiga comunidade indígena nômade que vive há muitos anos entre o norte da Suécia, Noruega, Finlândia e Russia. Historicamente, a relação entre os Sami e a Suécia tem sido conturbada, com o segundo negando sistematicamente o direito dos primeiros à terra e recursos naturais enquanto povos originários. Durante nossa viagem, pudemos visitar um museu Sami e entender mais de sua história e cultura.

O resumo da experiência foi esse: acabamos vendo apenas um aurora boreal muito tímida. Por ser uma fenômeno natural, conseguir ver a aurora é uma questão também de sorte. Infelizmente, na semana que estávamos lá o céu estava um pouco encoberto e as temperaturas mais altas que o normal. Apesar desse infortúnio, a viagem foi incrível, muita neve e paisagens que eu nunca tinha visto antes. Além disso, demos a sorte de ver outro fenômeno pouco conhecido e até mais raro, as nuvens estratosféricas. Resultado: vale muito a pena mesmo que você também não dê sorte com a aurora, Kiruna é repleta de belezas naturais e cultura local, uma visita e tanto.

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Tradições curiosas: o dia do nome

 

Recentemente uma amiga me contou que aqui na Suécia, além do dia do aniversário, as pessoas também comemoram o dia do seu nome.

Dia do nome?

                                                                       fonte: giphy.com

O que ela me explicou é que cada dia do ano é relacionado a um nome. Aqueles suecos cujos nomes estão no catálogo costumam receber uma pequena lembrança e os cumprimentos dos amigos e da família no seu respectivo dia.

O costume, que também é celebrado na Finlândia, tem origem nas listas de nomes de santos e outras figuras religiosas. Diz-se que para os camponeses era mais fácil relacionar os dias propícios para realizar cada etapa do trabalho agrícola com nomes do que com os dias e meses instituídos. Além disso, o nome estaria ligado ao evento do batismo, enquanto comemorar o aniversário era considerado uma tradição pagã.

Ao longo dos séculos, a lista de nomes referentes a cada dia foi revista, com a inclusão de nomes populares não religiosos. Dos mais de 150.000 nomes registrados no país, cerca de 600 estão catalogados no calendário. A atualização da lista acontece de tempos em tempos e de acordo com essa notícia (em inglês) 7 novos nomes serão incluídos no calendário a partir de 2022.

Encontrei o calendário de nomes abaixo, referente a março de 2019, no site da SVT (sistema público de televisão). Os nomes em preto são aqueles oficialmente pertencentes ao catálogo. Já os nomes em verde referem-se a nomes populares aos quais a rede de televisão designou um dia específico:

Caso você queira conferir se o seu nome consta no calendário sueco, siga o link que apresenta a lista oficial completa.

Eu não tenho nenhuma pretensão de encontrar um nome como o meu na lista, hahahaha, mas muitos nomes conhecidos no Brasil, como Bruno, Mariana e Jennifer estão contemplados!

Quem sabe você não acha o seu?

Até mais, Myung.

 

 

 

 

 

 

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À espera do resultado

Oi gente,

Agora que o último dia para se inscrever pro mestrado aqui passou e também o dia para se inscrever para a bolsa do Swedish Institute… Que tal um post com dicas de como lidar com essa espera/ o que fazer enquanto espera?

Talvez eu não seja a melhor pessoa do mundo para falar sobre isso – quando estava à espera do meu resultado dois anos atrás, acabei sendo internada por conta de uma gastrite (tiveram outros fatores, mas o nervosismo influenciou bastante também).  Então para que vocês também não recebam as boas notícias de uma cama de hospital, vamos a uma lista do que fazer enquanto espera (lembrando que esta lista não é uma opinião profissional):

1. Faça um exercício fisico

Além de ocupar e distrair a mente, ainda tem efeitos positivos na saúde? Definitivamente deveria ter focado mais nessa dica enquanto esperava meus resultados. Faça aquilo que você gosta… academia, natação, dança – qualquer coisa que te deixe feliz!

No meu caso que tenho uma tendência a engordar nos primeiros meses em que moro fora (aconteceu nos meus três intercâmbios), essa atividade pode ajudar pra dar uma “folguinha” pra o período de adaptação aqui. E caso você não for aceito, vai ter encontrado uma atividade que te faz feliz e que poderá te ajudar a superar o resultado inesperado.

2. Marque encontro com os amigos

E a gente precisa de desculpa para encontrar com nossos amigos? Bom, para aqueles que vivem ocupados no trabalho e etc… Talvez seja preciso né? Na minha opinião é a melhor forma de passar o tempo.

Seus amigos serão aqueles que você sentirá falta quando estiver aqui na Suécia ou aqueles que te ajudarão quando você estiver triste.

Também vale a pena conversar com eles sobre suas preocupações, é melhor sempre conversar sobre isso do que deixar sua ansiedade te consumir.

3. Faça exames de check up

No Brasil temos muito a cultura de: a vou fazer meus exames de sangue uma vez ao ano para ver se está tudo bem. Aqui na Suécia não é assim – fazemos exames só se tiver algum motivo. Um amigo uma vez ligou para marcar exames, e segue abaixo o dialogo dele com a enfermeira:

Enfermeira: “Quem te passou esses exames?”

Ele: “Ninguém só quero saber como está minha saúde.”

Enfermeira perguntou: “Você está sentindo algo?”

Ele: “Não.”

Enfermeira: “Então sua saúde está boa. Você não precisa desse exame de sangue.”

Pode ser que você concorde com isto que a enfermeira falou mas na minha mais sincera opinião sempre vale a pena dar uma olhada na sua saúde se você tem planos de morar fora – e se caso não for vir pra Suécia, vai ter usado seu tempo para fazer exames com sua saúde em foco.

Como exemplo, ao fazer meus exames antes de vir para Suécia eu descobri que tenho: hipotireoidismo. Agora veja minha situação, eu descobri o hipotireoidismo um mês antes de chegar aqui. Ou seja, mal tive tempo de checar qual dosagem de hormônio eu preciso. E eu estava assintomática! E quando aparecesse, eu provavelmente iria ter confundido com falta de vitamina D e empurrado com a barriga. Resumo da conversa: eu deixei pra só depois que o resultado saiu, e quase não deu tempo.

Aconselho a todos a fazer os exames mesmo antes de saber o resultado (caso tenha feito há muito tempo). Ligar para médicos e marcar exames ocupa sua cabeça e pode ajudar a esquecer o tal do resultado. E como disse, caso não venha para a Suécia, pelo menos você focou na sua saúde.

4. Faça uma lista do que fazer caso consiga a vaga / caso não consiga

Acho importante você estar preparado para o que fazer caso venha o melhor ou “pior” resultado. Lembre-se que se não conseguir, não é o fim do mundo – se quiser, pode tentar de novo próximo ano. Pense no que você quer e faça uma lista com atividades para fazer depois do resultado.

E muito importante: se dê um “presente” não importa o resultado! Você já conseguiu ir mais longe do que muitos, você tentou! Acredite ou não, isso por si só já pode ser considerado uma vitória – se recompense por isso!

5. Netflix

Deixei esse por último porque acredito que muitos já o fazem naturalmente. Mas que tal maratonar aquela série que você sempre quis?

Recentemente usei essa estratégia enquanto espera o resultado de uma entrevista, e devo dizer que deu SUPER certo. Me recomendaram a série Outlander e acabei assistindo todas temporadas em duas semanas haha


Bom, estas foram minhas dicas de como lidar com essa espera pelo resultado. Espero, com toda sinceridade, encontrá-los aqui na Linköping University!

obs: Caso a ansiedade esteja grande – não hesite em procurar ajuda de um profissional.

Duda

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