5 coisas pra você resolver antes de vir para a Suécia

Tjena, pessu! 😀

Passou no mestrado? Tá se preparando para vir pras terras geladas do reino da Rainha Silvia? VIVA!
Hoje o post vai com aquelas diquinhas que são súper úteis e as vezes óbvias, mas que valem a pena serem reforçadas. Se liga:



1) Faça check up no dentista

Dentista aqui não faz parte do sistema público de saúde e custa um olho. Pra ter uma noção, já vi casos de colegas que tiveram urgências odontológicas e preferiram voltar para o país de origem e tratar lá (Europeus, claro).

 

Imagem: Scientific American


2) Faça check up no médico

Aqui não existe check up. Exames de rotina só são feitos em alguns casos (como a colposcopia em pessoas que possuem útero). O sistema de saúde sueco opera em um modo de quase emergência devido a falta de profissionais da saúde, e as coisas são voltadas para despender do mínimo de recurso possível. Além disso, a abordagem da medicina aqui é no sentido de tratar doenças, então geralmente se vai ao médico apenas quando sente-se algo. Não existe chegar no Vårdcentral (central de saúde equivalente ao nosso postinho/UBS) e pedir um simples exame de sangue por conta própria sem passar pelo médico antes. Se, no caso, você queira fazer um exame para detectar ISTs,  por exemplo, é necessário ligar no 1177 e marcar o exame especificamente para isto, aí dá. Ah! Tome suas vacinas e traga o cartão internacional de vacinação. Nunca precisei aqui, mas melhor ter.

 

3) Traga seus medicamentos

Como Myung já nos contou em seu post “Estou indo para a Suécia, o que levar?“, alguns remédios cotidianos para nós no Brasil, podem não ser vendidos por aqui, pelo menos não sem prescrição. Anticoncepcional é um deles. Ibuprofeno, Paracetamol e vitaminas em geral são comuns e vendem até no mercado, mas dipirona ou um simples relaxante muscular, não. Eu trouxe floral, remédio pra rinite, alguns remédios naturais e Engov (sério).

Minha necessaire de remédios que trouxe do Brasil.

 

4) Deixe uma procuração no Brasil

A gente nunca sabe quando vai ter pepino pra resolver, né? Melhor se garantir e deixar pros pais, ou alguém de confiança, uma procuração para que possam fazer coisas por você. Sugiro verificar as regras para tal no seu banco, ou no órgão específico para qual você queira deixar a procuração. 

 

5) Abra uma conta em algum provedor de remessas

Pode ser Transferwise, Remessa Online,…Tanto faz. As taxas são menores que as dos bancos e a cotação geralmente é diária, não mensal, o que facilita na escolha de um dia em que a situação da moeda esteja melhor para a transferência internacional de dinheiro. Eu precisei de urgência e foi uma mão na roda! Chega em alguns dias e, no caso da Transferwise, se acompanha a situação da transferência no site.

 

Por hoje, é isso. Posso fazer uma parte 2 uma outra vez, o que acham?

Hejdå 

Comida: como encontrar ingredientes da culinária brasileira na Suécia

 

Morar em outro país leva muita gente a se aventurar na cozinha para tentar reproduzir pratos que no Brasil se encontra em qualquer esquina.

Felizmente, tem bem poucas coisas das quais eu fico passando vontade, porque em Linköping é bem fácil encontrar ingredientes que usamos na culinária brasileira. Só é preciso um pouco de tempo e alguns contatos com outros conterrâneos pra saber onde achar cada coisa. Espero que a lista a seguir facilite a vida dos leitores desse blog e dos recém-chegados!

Carnes

Nas imagens abaixo você consegue comparar os cortes de carne bovina no Brasil e na Suécia:

Fonte: Facebook

Para churrasco, picanha é “Rostlock med kappa”. Já nas carnes de porco, a linguiça atende pelo nome de “salsiccia” e a calabresa pode ser encontrada tanto como “kabanoss” ou “kielbasa”.

Grãos

A única coisa que não encontrei foi flocão de milho ou milharina pra fazer cuscuz nordestino. De resto, nas lojas asiáticas é fácil achar milho branco para canjica, granulado de tapioca que usamos para sagu ou dadinho de tapioca e também polvilho (tapiokamjöl), que serve para pão de queijo e pode ser hidratado para fazer tapioca.

Nas lojas africanas, gari ou kassavamjöl é a nossa amada farinha de mandioca e nos mercados árabes fin bulgur é o trigo para quibe. Também é bem fácil achar fubá (majsmjöl) e farinha de milho para polenta nos mercados árabes ou grandes supermercados suecos.

Frutas, verduras e leguminosas

Na mesma loja africana em que se compra a farinha, se encontra a mandioca, o inhame e a banana da terra.

Já vi chuchu em mercados asiáticos, mas não fiz muita questão de comprar. 😛

Quiabo é vendido congelado em grandes mercados, atende pelo nome de “okra” e a couve (grönkål), apesar de ser um tipo diferente da couve manteiga brasileira, é facilmente encontrada em qualquer supermercado maior.

O que não se acha fácil, infelizmente, é mandioquinha e palmito. Pra comer essas delícias tem que se planejar e pedir online nas lojas brasileiras de Estocolmo ou Gotemburgo, que entregam em toda Suécia.

De uma esfomeada para outros, espero que a informação seja útil!

Bolsistas brasileiros do Swedish Institute (SI) falam de suas experiências

“Você tem a ambição de se tornar um futuro líder dentro da lógica do desenvolvimento sustentável em uma plataforma global? Então você pode ser quem estamos procurando. O Global Professionals é um programa internacional de bolsas de estudos totalmente financiado e muito procurado para estudos de mestrado na Suécia.”


É assim que a página do programa de bolsas Global Professionals do Swedish Institute (SISGP) recebe os curiosos. O instituto, que em 2020 completou 75 anos, concede por ano 350 bolsas integrais para alunos oriundos de 42 países fora da União Europeia através do programa. Apesar de ser um tanto difícil de conseguir devido à concorrência grande, necessidade de um bom nível comprovado de inglês e alguma experiência profissional também, é uma ótima oportunidade para quem não teria condições de estudar na Suécia sem apoio financeiro. Vale se preparar e tentar!

Seguindo uma postagem anterior da Maria, conversei com Gabriela Martini e Jackson Eibel, bolsistas brasileiros do SI que estudam em nossa Universidade.
Como intuito da postagem é focar na experiência dos bolsistas do SISGP que estudam na LiU, sugiro que quem quer saber mais detalhes sobre pré-requisitos, elegibilidade, datas e prazos, dê uma olhada no site. A página deles contém informações suficientes, as datas, prazos e outros para sanar qualquer dúvida!

Gabriela é minha colega no MA in Ethnic and Migration studies (EMS) e veio de Luiz Alves e Florianópolis/SC. Ela vive em Norrköping e está em seu segundo ano de mestrado, prestes a começar sua dissertação.

Jackson faz Msc in Strategy and Management in International Organisations (SMIO) e veio de Nova Petrópolis/RS. Diferente da Gabriela, ele vive em Linköping, está em seu primeiro ano – durante a pandemia!

Agora, as perguntas. Vamos lá!

Com quanto tempo de antecedência vocês começaram a se preparar pra aplicar para a bolsa do Swedish Institute (SI)?

Jackson: Para o SI eu comecei me preparar com 6 meses de antecedência, buscando fazer contato com quem poderia ser minha referência profissional e acadêmica, como também analisando a lista de mestrados elegíveis na Suécia (que está no site si.se) e que estavam alinhados com meu plano de carreira.

Gabriela: Eu comecei a olhar quais cursos queria aplicar e trabalhar nas cartas de motivação ali por julho de 2018. Apesar de a deadline da bolsa ter sido só em fevereiro de 2019, é preciso se preparar cedo para o application das universidades, que leva bastante tempo, e a coleta de assinaturas e carimbos para a bolsa. Muitas pessoas não entendem a linha do tempo da bolsa (sugestão: leia atentamente o edital, está bem claro no site!). Primeiramente, escolha bem os cursos e depois faça um check list de documentos e cartas de motivação / recomendação / assinaturas que você vai precisar fazer/pedir. Lembre-se que as pessoas que vão escrever as cartas para você são ocupadas e precisam de antecedência para se organizar. Além disso, a maioria das universidades exige uma cópia do seu diploma com tradução juramentada, e dependendo do estado em que você mora, isso também leva tempo, sem contar o tempo de preparação para o exame de proficiência, que às vezes também fica lotado. Então a minha sugestão é começar a se preparar ao menos uns 6 meses antes.

Sobre o teste de proficiência em inglês. Vocês já o tinham (dentro da validade de 2 anos), ou tiraram especificamente para aplicar?

Jackson: Eu fiz o IELTS especialmente para o SI, 3 meses após decidir que tentaria a bolsa, pois assim deu tempo para estudar focado na prova e também caso não conseguisse a nota eu poderia tentar mais uma vez. Viajei três horas até outra cidade que aplica a prova, e felizmente consegui na primeira. Amém 😀

Gabriela: Eu já tinha porque comecei a aplicar para bolsas em 2017 e o fiz nesse ano. Como ele estava dentro da validade e minha nota era suficiente para os programas que eu apliquei, não precisei refazer.

Jackson em frente ao Kåkenhus, no campus de Norrköping. A turma de Jack não teve evento de boas vindas devido a pandemia.

O que acreditam ter sido o diferencial de vocês para terem conseguido a bolsa?

Jackson: Acredito que foi responder as perguntas requeridas no Form salientando o que vou acrescentar para a sociedade fazendo um mestrado na Suécia, e a importância desse impacto no mundo alinhado com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (SDG, em inglês). Ainda, imagino que preencher todos formulários com cuidado e não esquecer de nenhuma informação, carimbo e assinatura, é essencial para que levem sua candidatura à diante.

Gabriela: Eu faço trabalho voluntário com comunidades desde o ensino médio, tive a oportunidade de fazer um intercâmbio no ensino médio, também com bolsa, exclusivo para jovens voluntários, então já me envolvi em diversos projetos cujo tema era relacionado aos objetivos da Agenda 2030, que é o foco do SISGP. Essas oportunidades também me colocaram em contato com muitas pessoas que foram essenciais durante todo o processo da bolsa: desde amigos que foram meus mentores durante o processo de aplicação até as cartas de recomendação. Trabalho com migração (voluntariamente e profissionalmente) desde 2014, e além das migrações fazerem parte dessa agenda, o meu mestrado também é no tema. Então acredito que consegui amarrar bem as minhas experiências de trabalho e voluntariado com o tema da bolsa e provar como esse programa de mestrado específico faz sentido no meu plano de carreira.

A bolsa é integral. Vocês acham o valor suficiente para viver, incluindo aluguel?

Jackson: Sim, a bolsa é suficiente para pagar despesas mensais. É importante salientar que o intuito do valor da bolsa é apenas cobrir gastos básicos de um estudante, como alimentação, moradia e despesas locais. Portanto, levando em consideração que o custo de vida na Suécia é alto, o que sobra para viajar e atividades extras por exemplo depende muito do estilo de vida do estudante. Atualmente o valor mensal da bolsa é 10.000SEK e de aluguel pagamos em torno de 4.000-5.000SEK (depende a cidade). No fim sobra praticamente metade para gastos com alimentação e extras, e que variam muito de pessoa para pessoa, mas que são suficientes para viver bem.

Gabriela: Eu moro em uma cidade não turística, então eu consigo pagar o aluguel (que já inclui água, internet, energia, calefação – em acomodação estudantil), as despesas básicas como comida e também sobra para lazer. É preciso ter em mente que a bolsa é de 10 mil coroas e o salário mínimo na Suécia gira em torno de 20 mil, então não é possível se dar luxos como comer fora sempre, viajar muito, comprar roupas caras, mas a bolsa cobre as despesas sem maiores problemas para uma vida de estudante.

Como é a relação com a rede de bolsistas que o SI fomenta? O que mudou com a pandemia?

Jackson: Sendo bolsista do SI, fazemos parte de uma rede muito interessante chamada NFGL – Network for Global Leaders, o qual nos possibilita participar de cursos e seminários em diferentes áreas e expandir nosso network. Atualmente, devido a pandemia, todos cursos estão ocorrendo online. Todavia, a interação com a rede permanece a mesma.

Gabriela: Muito legal, por conta da bolsa acabamos conhecendo gente por toda a Suécia, e de diversas áreas diferentes, o que deixa a experiência ainda mais interessante. Como comecei o mestrado antes da pandemia, tivemos um evento de boas vindas para todos os bolsistas em setembro de 2019. Lá, tive a oportunidade de conhecer vários outros bolsistas estudando em outras partes da Suécia, e mantemos o contato até hoje. Também existe a oportunidade de fazer parte do time local de bolsistas da sua Universidade. Eu fiz parte do Board da Universidade de Linkoping e organizei dois eventos, que foram palestras sobre como fazer sua master thesis e outra sobre o tema de imigracao na Suécia. Tínhamos várias visitas de campo marcadas e infelizmente elas tiveram de ser canceladas por conta da pandemia, então sim, o COVID-19 atrapalhou bastante a experiência. De qualquer forma, ainda ocorrem eventos online, então sempre dá para aproveitar alguma coisa.

Gabriela no evento de boas vindas do SISGP (2019)

Que dicas vocês dão para quem tem interesse em aplicar?

Jackson: Minha dica valiosa é: ler com atenção o passo a passo do site (clique aqui). Lá eles trazem todas as informações necessárias para aplicar para a bolsa. Entendo que o processo é trabalhoso e com muitos detalhes, mas posso garantir que vale a pena cada minuto gasto.

Gabriela: Minha principal dica é pesquisar bem o curso para o qual você vai aplicar, como já disse anteriormente, se ele faz sentido para você, se esse é o momento certo para fazer um mestrado fora do país. A minha dica é focar no curso e como ele vai contribuir para a sua carreira. Eu digo isso porque muita gente confunde um mestrado internacional com intercâmbio acadêmico, e vai por mim, são duas coisas bem diferentes. Em um intercâmbio (geralmente), você tem menos matérias e mais tempo para lazer, viagens, etc. Um mestrado é um curso integral, demanda muito tempo e estudo, e sendo bolsista, você também tem que cumprir com os requisitos do contrato da bolsa – que no caso do SISGP é fazer todos os créditos e se formar a tempo, com pouquíssimas exceções para postergação dos estudos. Além do mais, estar em um país estranho em que você não domina o idioma e costumes locais com uma rede de amigos reduzida é uma experiência que pode ser bastante solitária e desafiadora (ainda mais caso aconteça uma pandemia global no meio do caminho, rs), então pense bem e avalie se esse é o melhor momento para você. Ter escolhido um curso em que me identifico muito, com colegas com diversas afinidades comuns às minhas foi super importante para que ao final do dia, eu conseguisse respirar e refletir que tudo iria valer a pena.
Caso esteja seguro, as minhas dicas são: pesquise o máximo de bolsas que você se identifica e aplique para o máximo que dê para aplicar, pois os processos são bastante competitivos. Se prepare o mais cedo possível e liste todos os documentos que vai precisar traduzir, as cartas que vai precisar escrever e as que vai precisar pedir, e coloque um limite de tempo para cada um desses documentos ficar pronto. Sempre calcule o dobro de tempo para os documentos que não dependem exclusivamente de você. Não desanime no primeiro não que levar. Eu levei ao menos uns quatro antes de conseguir essa bolsa, e vários amigos bolsistas relatam o mesmo. Persistência é muito importante. Boa sorte!

*Grupo do Whatsapp: Logo após consegui

r a bolsa, Jackson criou um grupo no WhatsApp para tirar dúvidas e ajudar aqueles que buscam informações mais detalhadas. Lá há um link para um drive onde consta um PDF com passo-a-passo para aplicação da bolsa, algo que ele diz ter sentido falta durante o processo de aplicação. Comente aqui se gostaria de entrar no grupo!

 

Espero que a postagem tenha sido útil e acalmado coraçõezinhos. Se o efeito foi contrário, deixem perguntas nos comentários que se forem suficientes, podemos pensar em outra postagem respondendo. Ah! Lembre-se de olhar o site antes, talvez sua resposta já esteja lá 😉

Desculpa qualquer coisa: 3 características pessoais para viver melhor na Suécia

Há quase um ano e meio em Linköping e convivendo com muitos brasileiros, uns tantos suecos e muitas outras nacionalidades, eu gosto de observar como as pessoas se comportam, assim como gosto de me observar e estar aberta para rever alguns hábitos. Após uma reflexão sobre esse tempo aqui e toda a adaptação até sentir que consigo navegar socialmente, fiz uma lista das características pessoais que se mostraram mais importantes no meu dia a dia e cuja prática faz a vida em Linköping mais fácil e prazerosa.

  • Reclamar menos ou só fazer isso com pessoas próximas

Reclamar da mesma coisa cria laços de identificação? Pode valer para muitas situações no Brasil, mas minha impressão é que os suecos não gostam de entrar em conversas sobre o quanto algo é ruim. Mesmo em relação ao clima: todo mundo vai te dizer que reclamar sobre o clima é um ótimo quebra-gelo (o que é verdade), mas a conversa muito provavelmente vai terminar com uma ponderação sobre como a mudança das estações é bonita ou como a primavera é gostosa.

 

Outro tema comum entre os brasileiros é o monopólio estatal da venda de álcool: o famoso Systembolaget e a dificuldade que é se planejar para comprar bebida. Para esse tipo de reclamação, a resposta será: aqui nós costumamos sempre ter bebida em casa, isso não é um problema. Diferente do Brasil, onde gente p* da vida é muitas vezes visto como engraçado, nesse tempo aqui em Linköping não teve uma vez em que eu tenha visto uma pessoa sueca contar em uma conversa de grupo, festa ou ocasião social sobre como ficou revoltada com algo.

Fila no Systembolaget. Fonte: Wikimedia.

E eu não digo isso no sentido de recomendar que não se reclame de nada, mas eu tenho entendido que a reclamação tem um aspecto cultural no Brasil que é diferente daqui, especialmente com pessoas que você conhece pouco. Talvez seja mesmo um termômetro: se algum sueco ou sueca começar uma conversa com você contando sobre alguma coisa que os deixou revoltados, pode se considerar muito próximo da pessoa!

  • Proatividade, mas sem competitividade

Por um lado, existe uma imagem de que em países como a Suécia os serviços funcionam melhor que no Brasil, onde a pessoa tem que cobrar muito para que algo aconteça, especialmente no sistema público, e que aqui na Escandinávia seria muito diferente. Apesar de a confiança da população nas instituições ser realmente muito maior, eu não recomendo contar com o fato de que suas necessidades serão atendidas de forma clara e ágil, sem muito esforço ou sem estresse.

Ser cara de pau é um tanto necessário e pode te ajudar. Conheço casos de pessoas que só viram seus casos na agência de migração avançarem após irem atrás dos responsáveis pelo seu processo, pessoas que evitaram problema de saúde mais sérios ao insistirem em uma segunda opinião de médicos após serem avaliadas como caso sem gravidade no primeiro atendimento, ou quem precisou pedir revisão de nota em exames e trabalhos da universidade.

Por outro lado, no Brasil a competição é mais intensa e está presente desde cedo. Na escola, no processo seletivo para a universidade, no trabalho: a realidade são oportunidades mais escassas e desiguais. “Querer mostrar serviço” é comum no Brasil, assim como a pressão para se destacar entre os seus pares. Aqui na Suécia, especialmente na minha experiência na universidade, o que predomina é o compartilhamento dos espaços de forma mais distribuída, quero dizer: não seja a pessoa dominando as conversas ou as aulas e faça críticas moderadas ao trabalho dos outros. Imodéstia é muito malvista por aqui.

Assim, é importante entender a medida certa entre ir atrás daquilo que você precisa e não tomar nada como garantido, mas não entender isso como uma competição em que uns precisam ter vantagens sobre os outros.

  • Paciência

As coisas tomam tempo. Amizades não se formam em algumas idas pro bar, primeiros encontros na maioria das vezes significam apenas conversar, quando uma pessoa entra em férias você precisará esperar todas as semanas necessárias se tiver algo para resolver com ela, e as suas plantas passarão alguns meses em estado de dormência.

Vale a pena insistir em construir tudo pacientemente, de relações ao entendimento da língua local e as habilidades sociais valorizadas por aqui. O que para alguém do Brasil pode ser visto como espontaneidade ou uma compreensível ansiedade por estar muito animado com algo não é tão comumente expresso por aqui e pode dar uma impressão errada ou gerar problemas de comunicação. Eu, do meu lado, aproveito para praticar ir com calma e não esperar que as coisas se resolvam imediatamente, o que de certa forma me ensina a balancear a minha iniciativa com a minha expectativa.

O segredo é ser lagom.

Abraços e até a próxima!

Pão de queijo: receitas alternativas

Heeeej!

Aaah, a comida de casa… Sorte é morar fora e conseguir encontrar tudinho, nem que seja preciso fuçar em pequenos mercados escondidos. Aqui na Suécia tem de tudo, é verdade, mas Norrköping apesar de ser uma das cidades suecas com a maior população de background migrante do reino, ainda não é tão grande, então encontrar certos ingredientes fica meio difícil. O negócio é improvisar!

Hoje vou ensinar duas receitinhas pra matar a vontade de pão de queijo. Uma é sem polvilho azedo propriamente dito e a outra é mais rapidinha, na frigideira. Confira abaixo:

 

Fica uma delícia!

Pão de queijo com tapioca ou farinha de mandioca 

  • Ingredientes:

400g de farinha de mandioca / tapioca
2 dl de leite / 240 ml (1 xícara)
1 dl de água / 180 ml de água
0,5 de óleo / 90 ml de óleo
2 colheres de chá de sal
2 ovos
200g de queijo seco: pecorino, grana padano, parmesão,…

  • Preparo:

Pré-aqueça o forno a 180o.
Misture a farinha e o sal em uma tigela.
Ferva os líquidos (água, leite e óleo) em uma panela. Adicione-os  à mistura de farinha/tapioca e sal, e mexa até formar uma mistura pegajosa. Importante esperar que a mistura esfrie um pouco antes de continuar.
Adicione então os ovos, um de cada vez, mexendo a massa até a mistura ficar homogênea. Adicione o queijo e misture bem. Não tenha medo de meter a mão na massa, literalmente!

O ponto certo deve ser uniforme, mas um pouco pegajoso. Forme bolinhas com a massa e coloque-as em uma assadeira. Ponha no forno pré-aquecido e asse até que quase dobrem de tamanho. Depois disso, aumente o fogo até que os pães fiquem dourados.

 

Pão de queijo de frigideira

Essa é mais rápida e faço quanto estou com muuuita vontade. As vezes inclusive no café da manhã.

  • Ingredientes:

2 ovos
40gr de tapioca
1 ou 2 colheres de algum queijo cremoso: cream cheese, creme de leite, gräddfil (tipo um sour cream que usam muito aqui),… Eu geralmente uso o cream cheese 30g de queijo, de preferência algum que derreta

 

  • Preparo:

Em uma tigela, quebre os ovos, adicione a tapioca, o queijo cremoso e sal a gosto. Bata até ficar homogêneo, como se frosse fazer uma crepioca.

Em fogo médio, coloque a mistura na frigideira e entãoo adicione o queijo por cima. Se puder, coloque uma tampa para que ele inche.

Parece omelete, mas tem gosto de pão de queijo.

 

Dicas: Por vezes eu misturo o queijo seco com um pouco do queijo que tem na geladeira pra baratear.

Sempre opto pela tapioca que encontro em lojas asiáticas (tapioca starch).

Se você preferir a farinha de mandioca, geralmente encontro em lojas africanas pelo nome de cassava flour ou yuca flour. Vem bastante e ainda dá pra aproveitar a sobre pra fazer farofa do almoço 😀

Ambas as receitas me ajudam muito quando bate aquela vontade, ou quando o pessoal pede “comida brasileira”. Mesmo não sendo a mesma coisa que temos em casa, faz o maior sucesso entre meus amigos aqui, gringos ou brasileiros.

Tapioca starch que geralmente uso.